quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Desenvolvimento Psicológico do Ser Humano

Seja para trabalhar com a Educação Infantil, com o Ensino Fundamental, Com o Ensino Médio, com o EJA ou Cursos Técnicos e Universidades, o professor precisa conhecer o desenvolvimento do ser humano e o conhecimento das fases psicológicas do ser é de total importância.

Fase Oral

Período de aproximadamente um ano que segue desde o nascimento. Os impulsos da criança são satisfeitos principalmente na área da boca, esôfago e estômago, ou seja, a libido está intimamente associada ao processo da alimentação e contato humano, que vem associado ao ato de mamar.

A percepção da criança, nos primeiros meses após o nascimento, é de totalidade, não distinguindo ainda o “eu” do “não eu”. Se o seio (ou substituto) for gratificante, a imagem de aceitação será introjetada, e as expectativas futuras do mundo, em termos projetivos, serão otimistas, o que é conhecido como o “objeto bom”, e o seu oposto irá gerar insegurança e desconfiança.

Por volta dos seis meses, já há uma percepção da mãe “como uma pessoa total”, integrada em seus aspectos bons e maus, e a relação da criança com a mãe é mais realistas, aprendendo a controlar sua ansiedade e seus impulsos frente às demandas do meio, preparando-se para enfrentar os novos desafios da fase seguinte de seu desenvolvimento.

Para Erikson a primeira coisa que se aprende na vida é receber; e a criança recebe não só com a boca mas com os sentidos, com os olhos, ouvidos e com o tato. A atitude psicossocial básica que se aprende, neste estágio, é “saber” se pode confiar no mundo a sua volta, se será alimentada nos horários adequados e na quantidade correta, deixando-a confortável. Irá desenvolver, a Confiança X Desconfiança.

É importante salientar que, de acordo com Erikson, desconfiança na dose certa é importante, pois desenvolve a prontidão frente ao perigo, assim como a antecipação do desconforto desenvolverá o instinto de proteção, que ajudará a criança a tornar-se mais autônoma.

Fase Anal

No final do primeiro ano de vida estão presentes habilidades como virar-se, sentar, engatinhar, ás vezes andar, assim como o início da comunicação verbal, ora para pedir coisas, ora como forma de socialização. Nessa fase inicia-se a capacidade de julgar a realidade e antecipar situações, possibilitando maior tolerância ás tensões do cotidiano, e normais no desenvolvimento.

Durante o segundo e terceiro anos de vida a criança será estimulada a desenvolver a autonomia, tornando-se mais independente, inclusive no que se refere ao controle dos esfíncteres, e cuidados com a higiene pessoal, que estará de acordo com as exigências do meio em que vive e de sua cultura familiar.

Passa a viver outro conflito, pois embora tenha prazer em agradar os adultos que a elogia quando acerta, não poderá esvaziar a bexiga e o intestino imediatamente para, então, obter o alívio da tensão, pois tem local próprio e “hora certa” para fazê-lo. Deve aprender a reter quando desejaria eliminá-los, mas descobre que também pode ter prazer durante esse processo.

Os impulsos, nesta fase, levam a criança a vivenciar a busca do domínio do ambiente, e das pessoas que estão a sua volta, para obter o máximo de prazer possível. É a fase das “birras”, crises de nervos, parecendo necessitar de limites claros, para então se acalmar.

Erikson denominou esse conflito de Autonomia X Vergonha e Dúvida. Quando a criança consegue ter a autonomia para realizar o que é solicitado pelo meio, sente-se gratificada, e quando não consegue passa a sentir vergonha, podendo desenvolver o comportamentos obsessivos, tornando-se mal humorada, fechada e com uma hostilidade encoberta. É a fase onde pode tornar-se muito ordeira e meticulosa, sendo colaboradora e participativa.

Fase Fálica

O período que vai dos 3 aos 5/6 anos, a criança já tem maior consciência de si mesma, percebendo com maior clareza o mundo que a rodeia, interessando-se pelo ambiente e indagando sobre o significado e as causas dos fatos.

Aumenta o interesse pelo próprio corpo, principalmente pelos genitais, tornando-se mais exibicionista, masturbando-se e buscando contato físico com outras crianças.

Aparece, nesta fase, o fenômeno conhecido como complexo de Édipo, e o conflito da ambivalência entre o amor e o ódio, pois o seu “objeto de amor” também é a figura disciplinadora que coloca limites e restrições, e o “objeto odiado” é provedor, lhe dá segurança e proteção.

Erikson denominou esta fase de genital-locomotora, considerando que o desenvolvimento da personalidade envolve o equilíbrio entre duas atitudes psicossociais, que denominou de Iniciativa X Culpa.

Na chamada iniciativa existe a busca dos objetos que lhe dê a satisfação, e é o que move a criança a ligar-se ao “objeto de amor”, tentando identificar-se como o modelo entendido como “adequado”. A culpa surge como conseqüência dos sentimentos de onipotência, rivalidade, competição e ciúmes que acompanham o desejo de obter os fins procurados.

A conduta social básica que pode manifestar-se nessa fase é a de tentar sempre “tirar vantagem”, bem como o ataque frontal as pessoas que tentam colocar limites, tendo prazer na competição e na conquista, insistência em alcançar uma meta e, embora, demonstre segurança e tenha atitude resoluta, pode carregar traços de inferioridade. Por outro lado, nessa fase a criança torna-se amigável, colaboradora, amorosa, sendo capaz de proporcionar bem estar as outras pessoas uma vez que é capaz de ter empatia, podendo se colocar no lugar do outro.

Período de Latência

Dos 5 aos 10 anos a criança utiliza sua energia psíquica para o fortalecimento do ego, o qual se tornará melhor equipado para lidar com os impulsos que virão nos próximos anos, e para adaptar-se aos novo ambientes. Volta-se para o mundo externo, como escola, jogos, amizades e outras atividades, fora do ambiente familiar, passando a buscar novos ídolos e heróis, fora de casa.

Se ocorreram turbulências nas fases anteriores, poderá ser uma criança irritada, agressiva, exibicionista, com excessiva curiosidade sexual, apresentando mau aproveitamento escolar, podendo ter pavores noturno ou dificuldades alimentares.

Nesse período da vida sua auto-estima já não depende exclusivamente da aprovação externa, tendo a própria crítica ao proceder de forma “certa ou errada”. A sensação de acerto provoca sentimento de segurança, prazer e auto valorização, e ao contrário, a sensação de erro traz culpa e remorso.

Segundo Freud aparece neste momento o superego, herdado do complexo de Édipo, podendo, a partir da auto crítica, surgir o medo excessivo de doenças, de acidentes, de perder o amor das pessoas, da morte e da solidão.

Passa a ter importância vestir-se como os de sua idade, o conhecimento intelectual, os valores sociais, os bens materiais, bem como a imagem de perfeição que construiu para si mesma. O ego procura manter esta imagem evitando o sofrimento vindo dos sentimentos de inferioridade e da diminuição da auto-estima que aparecerão sempre que os ideais forem frustrados.

Estabelecendo relações interpessoais fora da família, começa a empreender a difícil tarefa de ajustar-se às outras pessoas e manejar seus impulso para conseguir viver socialmente. Tem necessidade de pertencer a um grupo de iguais e de ser aceito pelos companheiros, bem como de sentir-se responsável e capaz de realizar feitos que recebam aprovação e lhe dêem um status no grupo, desenvolvendo um conceito de “si mesmo”.

Meninos e meninas formam grupos separados, excluindo-se mutuamente, buscando jogos diferentes, sendo que os meninos têm pavor de parecer-se com meninas, e se vigiam para denunciar quando isso acontece.

Identificam-se com profissões e com determinados profissionais, surgindo vocações e talentos e a famosa frase: “quando eu crescer serei...”, tentando obter reconhecimento pessoal, mas já percebendo que terão que ajustar-se às normas do mundo e que nem sempre são as mesmas de sua família de origem, deparando-se com os códigos de lealdade, que poderão trazer muitos conflitos internos e embates familiares.

Erikson descreve esta fase como Construtividade X Inferioridade, sendo que na construtividade busca o aprendizado e a realização, utilizando-se de suas potencialidades e capacidades. Na inferioridade, por não receber estímulo do meio considera-se incapaz em relação aos outros, sentindo-se a margem de seu grupo, desistindo de competir, como se estivesse destinado à mediocridade.

É a fase onde a transição está ocorrendo e não é mais criança, mas ainda não é jovem (fase infanto-juvenil), desejando em alguns momentos permanecer num estado de despreocupação, liberdade e aventura, e em outros total inércia.

Adolescência

A adolescência é uma fase cheia de questionamentos e instabilidade, que se caracteriza por uma intensa busca de “si mesmo” e da própria identidade. Nessa fase todos os padrões estabelecidos são questionados, bem como criticadas todas as escolhas de vida feita pelos pais, buscando assim a liberdade e auto afirmação.

Os adolescentes são desajeitados em seus movimentos, sendo que a fala fica alterada, a voz vibrante, desafinada e alta. O humor fica extremamente lábil, com crises de raiva, choro e risos, alternados e exagerados, além da insatisfação constante, e oposição a tudo o que o adulto sugere.

Erikson aponta com sendo a fase da Identidade X Confusão de Papéis, uma vez que há um grande desejo de ser valorizado por possuir ou realizar algo que seja só seu, algo inédito, que lhe traga um destaque no grupo; porém o medo de não ser capaz está sempre presente. É uma fase de muita criatividade, com críticas ao que acontece ao seu redor, ou no planeta como um todo, tendo necessidade de falar sobre o que pensa, mas só quando desejar, como se precisasse constantemente provar sua liberdade de falar ou calar.

Maturidade

Poderíamos dividir esta fase em dois momentos: o Jovem adulto, período que vem logo após a adolescência, e a Meia Idade.

Para Erikson o jovem adulto passa pela fase da Intimidade X Isolamento, onde deseja um relacionamento afetivo íntimo, duradouro e continuo, através de relações profundas, buscando, também nessa fase, a construção de uma carreira profissional que lhe dê estabilidade e boa condição financeira.

Erikson descreve a Meia Idade como sendo a fase da Produtividade X Estagnação, onde se a carreira profissional e as questões emocionais estiverem “resolvidas”, tanto pode ocorrer uma estagnação, como uma busca de novos desafios. Caso não tenha realizado seus ideais até este período da vida também poderá acontecer uma das duas saídas, dependendo das mensagens que estão gravadas em seu inconsciente, em função das fases anteriores do seu desenvolvimento, e as opções feitas no passado.

É o momento que anteriormente chamávamos de “ninho vazio”, em que os pais, principalmente as mães, consideravam-se sem função por não saber ser outra coisa na vida além de cuidadoras. Com o grande investimento que se fez nos últimos anos, mostrando que as mulheres tem outros afazeres além de ser cuidadora, e com a entrada da mulher no mercado de trabalho, essa crise não é tão acentuada. Paralelamente está ocorrendo uma mudança nos jovens, que hoje não tem a mesma premência de sair de casa, pois a liberdade aumentou, os pais são mais liberais, e as questões de estudo e trabalho ficaram mais exigentes, aumentando o período em que os filhos permanecem “no ninho”, cuidados, e até mantidos financeiramente – são chamados “adultolescentes”.

A chamada crise dos 40 ocorre quando se avalia que não se tem mais todo o futuro pela frente, e que o recomeço não é tão simples, pois sair do conhecido, e lançar-se no escuro amedronta, torna-se mais preocupante do era que antes.

Jung, no entanto, vê esta fase como extremamente criativa dizendo ser o “inicio do libertar-se do aprisionamento do ego” e em vez de representar a última chance, como pensam alguns, é sim um período especial, com significativas possibilidades para a maturação saudável, e que o importante é responder as seguintes perguntas :

“Para o que quero usar meu potencial?

O que tenho realmente que fazer na vida?

Qual é a minha verdadeira tarefa?”.

Velhice

Erikson descreve esta fase como sendo aquela onde se desenvolve a Integridade X Desesperança, onde ocorre naturalmente a avaliação do que foi vivido, com a percepção clara de que não é possível mudar muitas das coisas que já passaram. É um fato real que a pele já não tem a mesma elasticidade, que os olhos enxergam diferente, que dentes e ossos são mais frágeis, e que se o idoso ficar preso a essas perdas haverá muito inconformismo, revolta ou depressão.

Em contra partida, é fácil observar que pessoas de idade avançada realizam tarefas de grande importância em várias áreas de atividade humana, quer na política, ciência ou nas artes, e que muitos sábios, músicos, escritores, pintores e escultores realizaram suas conquistas já bastante idosos.

Erikson entende que se o idoso conseguir manter a “integridade do ego” para adaptar-se às mudanças pessoais e sociais, conseguirá satisfazer seus anseios, com maior tolerância para com as ocorrências da vida atingindo, como resultado de toda experiência vivida, o dom da sabedoria.


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